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História do Yoga

Atualizado: 9 de ago. de 2023


Este artigo é um resumo da história do Yoga, inclui alguns conceitos importantes, e refere a evolução do Yoga ao longo do tempo. Indicamos as épocas do Yoga, do período Antigo até ao Contemporâneo.


A história do Yoga é dividida em quatro grandes períodos: Antigo, Medieval, Moderno e Contemporâneo. Muitos historiadores utilizam esta classificação, mas também existem outras possibilidades.


Incluímos também alguns tópicos sobre o Yoga nas tradições heterodoxas, como o Budismo e o Jainismo, para compreendermos melhor a contribuição dessas tradições no desenvolvimento do Yoga. Segue-se o Yoga Medieval Hindu, com destaque para o texto do Yogasūtra de Patañjali. Depois abordamos o Yoga na transição entre o período Medieval e o Moderno, em particular a variante do Haṭha Yoga. As técnicas praticadas na atualidade incluem uma (pequena) parte dessa tradição. Dedicamos, por último, uma secção ao Yoga Contemporâneo, explorando como ele se difundiu além das fronteiras da Índia. Veremos se existiram, ou não, mudanças de paradigmas em relação ao Yoga anterior, tanto o Moderno quanto o Medieval.


O Yoga é uma prática milenar que ganhou popularidade em todo o mundo. Para entender a sua evolução, é importante mergulhar nos registros históricos e compreender o contexto no qual o Yoga se desenvolveu ao longo dos séculos. Existem várias referências à palavra Yoga nos Upaniṣads, nos Purāṇa e na Bhagavad-gītā, que são textos clássicos da Índia e fornecem algumas noções sobre Yoga.


História do Yoga Antigo: as Origens Védicas


Os antigos textos indianos referem a palavra Yoga, mas não existia nessa altura uma prática como hoje a conhecemos. Os textos mais antigos, como por exemplo o Ṛgveda, escrito entre 1500 e 1200 a.C., faziam referência a ascetas que realizavam penitências físicas como forma de purificação e de ligação ao divino. Estes ascetas eram os Vrātyas, os Keśin e os Brahmacārin, mas nessa altura não encontramos referências ao termo “Yogui”.

Temas da História do Yoga Védico

Ao longo da história do Yoga a palavra Yoga significou muita coisa, como por exemplo, a junção de cavalos ou bois, ou aparato e aparelho militar. Yoga como união é o sentido mais conhecido, mas também pode ser entendido como separação entre a consciência e o agregado corpo-mente. No texto Yogasūtra, por exemplo, o estado de Yoga é alcançado quando há a separação da consciência com o corpo-mente, ou seja, quando o indivíduo se identifica na essência como consciência e compreende a natureza e a função da parte mais material do ser humano: o corpo-mente.


Os textos védicos constituem um corpo literário muito vasto e os mais antigos são os Vedas. As quatro principais coleções de textos védicos são o Ṛg Veda, o Sāma Veda, o Yajur Veda e o Athārva Veda. Esses textos contêm uma variedade de hinos e de diversos estilos literários, e é neles que encontramos as primeiras referências à palavra “Yoga”. No entanto, nessa época, como já referimos, o Yoga ainda não era uma prática.


Uma secção importante dos textos védicos é o Upaniṣad, a parte mais filosófica e metafísica do Veda. É nessa parte que encontramos os Upaniṣads dedicados ao Yoga. Esses textos exploram conceitos complexos, como a igualdade entre o Cosmo e o Homem, a antropomorfização (dar formas ou características humanas) dos deuses e a necessidade de manter a ordem cósmica ou Ṛta.


O Sacrifício Védico

Um tema recorrente nos textos védicos é o ritual do sacrifício, no qual alguns indivíduos queimavam alimentos como forma de agradar os deuses védicos. A função desse ritual era intermediar o mundo humano e o mundo sagrado. Além disso, os textos védicos também enfatizam a harmonia entre o homem e o Cosmo. O indivíduo era perfeito, assim como o Cosmo, e existia uma espécie de homologia cósmica: o microcosmo seria o espelho do macrocosmo. Dito de outra forma: o que está em baixo é igual ao que está em cima. O tema do sacrifício é importante na história do yoga, pois o yoga internalizou o sacrifício védico.


História do Yoga e Reencarnação

A crença na reencarnação é outro conceito importante, não apenas na Índia, mas também em outras civilizações do mundo. A ideia de que o indivíduo nasce e morre várias vezes está relacionada com a perspetiva da “Vida no Além”, e com o conceito de Karma, que podemos aqui resumir como o mérito das ações individuais.


Em resumo, é no contexto destas doutrinas que o Yoga começa por emergir, inicialmente como um conceito e não como uma prática, que integra essas visões e propostas sobre a vida e o cosmos.


O Karma Yoga na Bhagavad-gītā

No Mahābhārata, um grande épico indiano, encontramos duas partes importantes com ideias sobre Yoga: o Śāntiparvan e a Bhagavad-gītā.


Nas práticas de Yoga, como em muitas outras disciplinas orientais e ocidentais, é importante o afastamento temporário do mundo exterior e a abertura da visão interna, a fim de descobrir novas dimensões e realidades da própria existência. Essa busca pelo autoconhecimento está intimamente ligada ao sofrimento humano, que o Yoga também procura responder. O sofrimento não se limita apenas às dimensões física e mental, mas inclui também o sofrimento essencial, que consiste no desconhecimento da própria essência individual ou Ātman.


O Karma Yoga, também conhecido como o Yoga da Ação, é um conceito profundamente enraizado na Bhagavad-gītā. Alguns indivíduos traduzem Karma Yoga como voluntariado ou realização de atos de bondade. A ideia fundamental subjacente ao Karma Yoga é o compromisso, através das ações altruístas, para assim se evitar o Karma negativo.


Yoga no Budismo: a Escola Yogācāra


No âmbito da espiritualidade e filosofia budista, o conceito de iddhi (siddhi, no sânscrito) na escola da Yogācāra (prática de Yoga) possui relevância significativa. Siddhi refere-se a capacidades extraordinárias, que podem incluir, por exemplo, a telepatia.

A Yogācāra é uma escola de Budismo Mahāyāna, anterior a Patañjali, focada no estudo da cognição e da consciência. A Yogācāra foi fundada pelos irmãos Asaṅga e Vasubandhu. Esta tradição propõe o exame dos diferentes níveis de consciência e estágios de meditação. As suas ideias já vigoravam a partir do século II a.C., mas a escola floresceu no século II d.C., e a Yogācāra desempenhou um papel crucial na construção da filosofia budista, que desafia a noção de realidade objetiva.


Siddhi ou Capacidades Extraordinárias

O siddhi, ou iddhi no pāli, abrange uma gama de habilidades extraordinárias. Essas habilidades incluem levitação, a capacidade de entrar no corpo de outra pessoa, perceber os seus pensamentos à distância, e outros fenómenos. O Siddhi deve ser compreendido de forma figurada e não literal. A escola de pensamento Yogācāra percebia os siddhi como um mapa metafórico para a compreensão de estados de consciência. As técnicas associadas aos siddhi envolvem meditação profunda e dedicação, com os adeptos a dedicar dias, semanas e até anos à sua prática.


O Estudo da Consciência

De acordo com essa escola de pensamento, a realidade percebida pelos indivíduos é impermanente e está em constante mudança. Apenas a consciência permanece eterna e duradoura. A Yogācāra enfatiza a ideia de que a autorrealização e o autoconhecimento são os caminhos definitivos para a libertação, conceitos importantes na história do yoga.


A Impermanência e a Natureza da Realidade

A filosofia da Yogācāra afirma que tudo no mundo está em constante fluxo. Corpos, árvores, o sol, o Cosmo e até mesmo o sistema solar, estão em constante mudança e expansão. Essa perspetiva encoraja os indivíduos a questionarem o que realmente perdura para sempre. De acordo com a Yogācāra, e outras tradições budistas, é a consciência que permanece eterna. Ao explorar as profundezas da consciência, os indivíduos podem transcender o seu ego, os condicionamentos e os apegos, para obter uma compreensão mais profunda da realidade.


Saṃskāra e Condicionamento

À medida que os indivíduos experimentam o mundo, as impressões sensoriais deixam marcas conhecidas como saṃskāra, os gatilhos mentais que condicionam as experiências e os relacionamentos subsequentes. Os traumas do passado, os bloqueios, as alegrias, as aversões, os gostos e os desgostos, e toda a experiência humana afeta os saṃskāras. Por conseguinte, essas experiências condicionam as nossas respostas e reações ao mundo. A prática da meditação e da investigação interna permite que os indivíduos questionem esses padrões condicionantes, possibilitando um estado transcendente além das limitações do ego.


A Contribuição do Budismo na História do Yoga: Meditação e Ética

O Budismo fez contribuições profundas para o desenvolvimento da meditação e da ética no Yoga. Tanto siddhi como Yogācāra são algumas das áreas de estudo que ganharam destaque dentro do contexto budista. Siddhi, a busca pelas capacidades extraordinárias, e a Yogācāra com ênfase no estudo da cognição e da consciência, oferecem perspectivas valiosas para os praticantes. A meditação desempenha um papel fundamental no Budismo, sendo uma ferramenta essencial para a obtenção da iluminação, isto é, mokṣa ou kaivalya no Yoga.


Yoga no Jainismo


O Jainismo é uma antiga tradição espiritual da Índia, menos conhecida do que o Budismo, mas contribuiu de forma significativa para o desenvolvimento do Yoga. As origens do Jainismo remontam a mais de dois milénios. É uma filosofia que enfatiza a não-violência, a renúncia e a busca pela iluminação espiritual.


O Jainismo foi fundado por Mahāvīra, cujo nome significa “o grande herói”, e é considerado o vigésimo quarto Tīrthaṅkara, ou seja, um professor universal. Os ensinamentos principais de Mahāvīra baseiam-se na não-violência, na verdade, no não roubar, não praticar adultério e viver com desapego. Estes princípios éticos são fundamentais tanto para o Jainismo como para o Yoga. Mahāvīra viveu no século VI a.C. e é um exemplo supremo de virtude e de sabedoria espiritual. Acredita-se que ele alcançou a iluminação após treze anos de práticas ascéticas de meditação. A sua jornada espiritual começou quando ele renunciou à sua vida de príncipe e enveredou pela busca da verdade.


O Yoga no Jainismo é visto como uma prática que ajuda a alcançar a iluminação e a libertação do ciclo de nascimentos e mortes, o saṃsāra. A história do Yoga no Jainismo caracteriza-se por uma abordagem austera, que inclui penitências físicas, como o jejum e a meditação em condições extremas. Estas práticas visam purificar a mente e o corpo, bem como desenvolver a disciplina e o autocontrolo.


Meditação e Literatura do Jainismo

Além das técnicas físicas, o Jainismo também enfatiza a importância da meditação e da introspecção. Através da meditação, os praticantes procuram alcançar um estado de paz interior e uma compreensão mais profunda da realidade. A meditação no Jainismo é uma ferramenta essencial para a autorreflexão e para o autoaperfeiçoamento.


O Jainismo também possui uma rica tradição literária, e uma história vasta, que inclui textos sagrados e tratados filosóficos. Estes textos fornecem orientações sobre a prática espiritual, bem como uma compreensão mais profunda dos princípios e dos valores do Jainismo.

Os textos mais antigos integram o conjunto āgama e foram escritos na língua ardhamagadhi. Existem comentários escritos por monges jainas, posteriormente a esses textos. A literatura Jainista está dividida entre a literatura das duas principais escolas: Digambara e Śvētāmbara. Contudo, essas duas tradições não estão de acordo sobre quais são os textos que devem ser considerados oficiais na literatura do Jainismo.


Não violência no Jainismo

Atualmente o Jainismo tem uma comunidade relativamente pequena na Índia, com cerca de 3 milhões de seguidores. No entanto, o Jainismo tem influenciado outras tradições espirituais e filosóficas, incluindo o Hinduísmo e o Budismo. A ênfase no princípio da não-violência, por exemplo, é compartilhada por muitas tradições indianas, e constitui uma ética importante na história do Yoga.


O Jainismo desempenhou um papel significativo no desenvolvimento do Yoga. Os ensinamentos e práticas do Jainismo, como a não-violência, a meditação e a disciplina ou tapas, contribuíram para a prática do Yoga ao longo dos séculos. Ao explorar o Jainismo, podemos ganhar uma visão mais profunda do Yoga e da sua evolução ao longo do tempo.

O Jainismo enfatiza a importância da não-violência, considerada a base de todo o caminho espiritual. Os seguidores da tradição acreditam que todas as formas de vida são sagradas e merecem respeito. Alguns Jainistas levam essa crença ao extremo, praticando a não-violência em relação aos insetos, e utilizam máscaras faciais para evitar acidentes com insetos. Essa devoção à não-violência reflete-se também na dieta, que é conhecida por ser extremamente restrita e baseada em alimentos exclusivamente de origem vegetal.


História do Yoga Medieval: o Yogasūtra de Patañjali


O Yogasūtra é um texto de referência para muitas escolas Contemporâneas de Yoga. Compilado por Patañjali, provavelmente entre os séculos IV e V d.C., este compêndio de Yoga tem cerca de 1.600 anos de idade. Embora alguns historiadores acreditem que o texto foi escrito ao longo de vários séculos, a sua autoridade é inquestionável para muitos praticantes e escolas de Yoga.


Considerado como uma espécie de “bíblia” para a história do Yoga, o Yogasūtra é um dos textos mais importantes e influentes sobre a prática de meditação. Embora pouco se saiba sobre o autor e o principal comentador, Patañjali e Vyāsa, respetivamente, esses indivíduos (se é que não eram a mesma pessoa) desempenharam um papel fundamental na preservação e na explicação do Yogasūtra.


Antiguidade do Yogasūtra

A data precisa na qual o texto do Yogasūtra foi redigido é um assunto em debate entre os historiadores. Nas primeiras décadas do Século XX alguns historiadores defenderam que o texto foi escrito entre os séculos IV e V a.C., mas estudos mais recentes (vide Phillipp Maas e Michel Angot) sugerem que ele possa foi escrito por volta do século IV d.C. A incerteza em relação a autores e datas é algo muito comum nos textos Antigos e Medievais indianos.

Uma das filosofias fundamentais apresentadas no Yogasūtra é o Sāṁkhya. Essa cosmovisão propõe uma compreensão da realidade baseada na dualidade entre o espírito ou consciência e o corpo-mente. No entanto, é importante referir que essa dualidade difere da visão ocidental cartesiana, na qual a mente é superior ao corpo. De acordo com a história do Sāṁkhya, a consciência é o observador – puruṣa –, imutável e intemporal, enquanto o corpo-mente – que integra a prakṛti – é uma entidade em constante transformação que experimenta o ciclo de vida e morte.


As teorias filosóficas do Yogasūtra são essenciais para compreender a prática do Yoga, pois abordam questões sobre a natureza da realidade, o propósito humano, a natureza do sofrimento e muito mais. O Yogasūtra é um compêndio de meditação, no qual o indivíduo embarca numa jornada interior em busca da consciência eterna.


Samādhi do Yogasūtra

O Yogasūtra de Patañjali é um texto antigo que serve como guia para a prática do yoga. Está dividido em quatro capítulos, sendo que o primeiro capítulo aborda o tema do Samādhi. O Samādhi é uma experiência de consciência a montante da cognição, na qual o indivíduo transcende os pensamentos e as influências socioculturais. De acordo com o texto, todos nós somos parte de um todo maior, como peças de um relógio cósmico.


No primeiro capítulo, Patãnjali define o que é o Yoga e explora o estado de consciência do praticante ou observador. Ele introduz o conceito de vṛttis, que são as flutuações mentais e os pensamentos que afetam o nosso comportamento e desempenho no dia a dia. O Yoga sugere a redução das flutuações mentais através de práticas que permitem uma perspetiva alternativa da realidade. Também refere a existência de Yoguis sem corpo, o que levanta questões sobre outras dimensões e a existência além do corpo físico.


São abordadas no texto várias questões, como as distrações mentais e a importância do cultivo de éticas para combater o sofrimento mental. O Yogasūtra também destaca a meditação como o núcleo da prática do Yoga, e utiliza palavras técnicas como Samapātti para descrever os diferentes patamares de consciência que ocorrem durante a experiência contemplativa.


História do Yoga Moderno: as Técnicas do Haṭha Yoga


O Haṭha Yoga engloba uma série de técnicas psicofísicas, como mudrās, bandhas, prāṇāyāma e āsana, e outras que visam o bem-estar e o equilíbrio do corpo e da mente, como por exemplo, o yoga nidrā e a meditação.


Para compreendermos melhor a origem e a história do Yoga Moderno, precisamos de regressar ao século XI d.C. Foi nessa época que o termo “Haṭha Yoga” surgiu pela primeira vez, no texto budista Amṛtasiddhi. Isso significa que o Haṭha Yoga, enquanto sistema prático estruturado tem menos de mil anos. No entanto, algumas das práticas do Haṭha foram referidas na literatura do Século I d.C. No Século XV encontramos o grande compêndio de Haṭha Yoga, o Haṭhapradīpikā escrito no ano de 1420. A partir dessa altura e até ao Século XIX surgem outros manuais, organizados em torno das práticas físicas e onde as posturas começam a ganhar destaque.


Contudo, a escola mais antiga de Haṭha Yoga é a dos Nāth que remonta ao Século XI, e que originou na tradição anterior dos Siddhas. Essas escolas valorizavam a disciplina e o esforço espiritual para alcançar a libertação. O corpo era visto como um laboratório, onde os praticantes testavam os seus limites físicos para compreender as suas capacidades extraordinárias. A ideia era purificar o corpo e dominar a energia subtil para posteriormente alcançar uma perceção mais profunda da realidade.


Camadas e Energias do Ser Humano

O Haṭha Yoga defende a ideia da existência de diferentes camadas no ser humano. Além do veículo físico, existem outras camadas ou dimensões: energética, mental, intelectual, beatitude. Essas 5 camadas representam uma visão holística do ser humano, onde o corpo físico é um veículo para a manifestação de dimensões mais subtis. As técnicas que o Haṭha Yoga desenvolveu destinavam-se principalmente ao domínio da energia subtil ou prāṅa, e incluíam a sublimação da energia sexual.


Prāṅa é outro conceito importante no Haṭha Yoga, que aqui podemos simplificar e designar por energia vital. Acredita-se que existem diferentes tipos de prāṅa, dos quais 5 são os mais importantes: prāṅa, apāna, samāna, udāna e vyāna. Todas essas energias desempenham funções diferentes no corpo humano. Acredita-se que o prāṅa circula através de canais energéticos chamados nāḍīs, que são funcionalmente semelhantes aos meridianos da medicina tradicional chinesa.


O Haṭha Yoga enfatiza a importância do cuidado com o corpo físico. O corpo é visto como o templo do espírito e, por isso, é necessário mantê-lo limpo, praticar exercícios e ter uma alimentação equilibrada.


Resumidamente, o Haṭha Yoga é muito mais do que posturas físicas, embora seja importante saber como praticar posturas de yoga. O Haṭha é uma prática que procura o equilíbrio entre o corpo e a mente, através de técnicas psicofísicas. Além disso, o Haṭha Yoga convida-nos a olhar para além do corpo físico e a explorar as dimensões mais subtis da nossa existência.


História do Yoga Contemporâneo


Ao longo dos últimos 120 anos da história do yoga, a prática passou por diversas transformações e propagou-se pelo mundo, chegando ao Ocidente através do contacto entre indianos e viajantes europeus, e ocidentais interessados nas religiões indianas.

O Yoga Contemporâneo é o resultado da fusão e interação entre práticas indianas e ocidentais. Esse sincretismo trouxe consigo uma mistura de práticas, e originou diferentes estilos de Yoga. A comercialização e a propaganda do Yoga também se tornaram mais óbvias, com as aulas práticas e a utilização de tapetes e outros materiais, os retiros, os cursos e o turismo espiritual à Índia.


Mudanças de Paradigma na História do Yoga Contemporâneo

As mudanças na história do Yoga na época Contemporânea refletem a apropriação cultural, que de certa forma entronca num fenómeno mais vasto que é a Globalização. É óbvio que os Yogas não são independentes da Cultura e do Mercado, mas acompanham as tendências, os costumes e os modos de vida dos praticantes, seja no Yoga na Índia ou o Yoga em Portugal. Para o historiador este fenómeno não é valorizado como bom ou mau: é o desenrolar da própria dinâmica e do devir histórico.


O Yoga foi apropriado pela política. Por exemplo, o Yoga na Índia foi cooptado pelo sistema político. Isto significa que o “soft power” Hindu utiliza o Yoga para veicular a ideologia nacionalista. A celebração do dia Mundial do Yoga é um exemplo de um ritual político, no qual muitos corpos participam sem sequer o saberem.


Além disso, o Yoga também ajuda a promover os interesses capitalistas quando aparecem posturas de Yoga embebidas em anúncios comerciais na televisão. E como há oferta e procura de Yoga, há trocas económicas. Isto significa que o Yoga deixou de ser um produto soteriológico (de salvação ou de iluminação, mokṣa ou kaivalya) para ser um produto terapêutico, ou de fitness e de bem-estar no sistema capitalista ocidental.


Visão do Corpo e Feminismo

Uma das mudanças mais significativas na história do Yoga Contemporâneo é a visão do corpo. Antigamente, o modelo era o do corpo subtil, mas a partir do século XX, com as aulas profissionais de Yoga, o foco passou para o corpo físico e para a linguagem anatómica.

Além disso, a história mostra que no passado o Yoga era predominantemente praticado por homens, e nas últimas décadas tornou-se cada vez mais uma prática feminina, atraindo mais mulheres do que homens. Essa mudança pode estar relacionada com a estética do movimento fluido nas sequências de posturas de Yoga, mas com certeza existem outros fatores que explicam a crescente feminização do Yoga.


Outra transformação evidente no Yoga Contemporâneo foi o afastamento da meditação e da ética. O Yoga Postural Contemporâneo aproxima-se cada vez mais do exercício físico e da estética corporal, o que aliás é perpetuado nas redes sociais através de fotos de mulheres magras e flexíveis, geralmente caucasianas, em posturas de Yoga.


Tipos de Yoga Contemporâneo

Elisabeth De Michelis identifica diferentes tipos de Yoga no seu livro “A History of Modern Yoga”: o psicossomático, o denominacional, o postural e o meditativo. Cada uma dessas categorias possui os seus próprios princípios, escolas e gurus, e algumas são mais conhecidas do que outras. É importante saber como escolher uma escola ou instrutor de Yoga.


O Yoga sempre foi uma ideia e uma prática, mas o Yoga Contemporâneo foca-se mais na ação postural performativa. No entanto, é importante sublinhar que existem outros tipos de Yoga Contemporâneo com enfoques distintos, sem prática postural, como por exemplo, as escolas do Yoga devocional.


Ao analisarmos a história do Yoga no Ocidente, podemos identificar vários desafios. Foram escritos vários livros sobre esse assunto na Alemanha, na França, na Inglaterra, nos Estados Unidos e em Portugal, e até mesmo na Índia.


É importante destacar a influência de Swami Vivekananda, que teve um papel fundamental na introdução do Yoga no Ocidente. Após a sua participação no Parlamento das Religiões, em Chicago, no ano de 1893, ele ministrou conferências nos Estados Unidos e Inglaterra, difundindo o Yoga. No entanto, Vivekananda não era praticante de Yoga, mas sim do Vedānta. Ele sentiu a necessidade de encontrar uma prática e o Yoga foi a forma de suprir essa procura. Assim, podemos referir outro fenómeno que acompanha o Yoga Contemporâneo e que consiste na “vedantização do Yoga”, ou seja, uma visão do Yoga através da lente de outra filosofia indiana.


Conclusão


O Yoga é uma prática milenar que sofreu diversas transformações ao longo do tempo. Na história do Yoga constatamos que cada Yoga possui as suas peculiaridades e reflete as influências dos fundadores e do contexto sociocultural no qual foi desenvolvido. O Yoga é hoje praticado por todo o mundo para promover o bem-estar físico e mental, sendo uma excelente ferramenta terapêutica e de desenvolvimento pessoal/espiritual.

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